a espera

/ quarta-feira, fevereiro 19, 2014 /
Hoje eu estava irritada quando, atrasada, peguei um ônibus pra faculdade. Sentei na frente, já sofrendo por saber que iria pegar a "Sra. Fila" na secretaria da faculdade...

O motorista do ônibus puxou papo, até parecia ler meus pensamentos quando perguntou se estava indo resolver alguma coisa na faculdade. Começamos a conversar e logo me esqueci de sofrer por antecedência. Ele falava do orgulho que tinha com os filhos, que acordavam cedo e passavam o dia fora de casa, estudando em período integral, a fim de conseguirem uma bolsa de estudo. Não sei como chegamos nesse assunto, mas sei que aquilo o fizera transbordar de orgulho e satisfação. Me contagiou. Falamos também sobre as profissões de "hoje em dia", e ele me dizia o que fizera por um bom tempo de sua vida: era técnico de refrigerador. Me explicou como trabalhava, com uma riqueza de detalhes (e emoções) tão grande, que nem a Wikipedia não é capaz de descrever. Ele cumprimentava alegremente todos os passageiros, e pude contar nos dedos àqueles que retribuíram com o mesmo entusiasmo. Até que entrou uma senhora que, gentilmente, deu-lhe uma pêra. O motorista agradeceu, surpreso e, com os olhos marejados, me disse: É POR ISSO QUE AMO O QUE FAÇO.

Mal sabe ele o quanto sua humildade e aquele papo me fizeram sentir [bem] melhor.


the conditioned - o condicionado

/ sábado, fevereiro 08, 2014 /
Esse post será bem mais do que um informativo sobre algo que está gerando assunto na web. Trata-se de um saudoso relato.


Há 6 anos atrás fui convidada a participar de um projeto social na igreja que frequentava uma família de amigos - que, inclusive, devo muitíssimo pelas diversas oportunidades de crescimento pessoal. Nunca havia participado de nada parecido, embora sempre tive muita vontade de saber como é feito um trabalho social. Isso aconteceu em meados de dezembro, quase janeiro. Era época de Natal. Fui com meu tio e esses amigos da família, e me lembro muito bem de todo o entusiasmo que sentia em participar de cada passo do processo: separar brinquedos que seriam doados à crianças que viviam na rua, preparar marmitas para distribuir às famílias, sacolas plásticas com produtos de higiene pessoal e, principalmente, boa vontade. Saímos à rua e eu mal podia para quieta, tamanha curiosidade e ansiedade. Nos dividimos em um grupos, e permaneci no carro que guiava os demais pelas ruas do centro, zona sul e oeste de São Paulo.

Corri com as crianças, abracei desconhecidos, fui abraçada, me surpreendi com o bom humor e educação de muitos (sim, muitos) moradores de rua. Tive uma poderosa e gratificante aula de humanidade. Foi vivendo aquilo que pude perceber que a minha realidade não está concentrada em viver uma rotina "padronizada". Foi ali que eu comecei a acordar, de fato.

Chegamos à zona oeste de São Paulo. Região do Alto da Lapa.
Conhecemos o verdadeiro Poeta (ou Profeta, como alguns outros também chamavam).

Seriedade e introspecção o define. Era um homem de poucas e boas palavras, realmente aparentava estar ali por muito tempo. Anos. Era engraçado mas não sorria, falava bem mas não "parecia", era poeta e todos viam. Fez um poema para cada um que se aproximava. Fui dar-lhe algo para comer e, oportunamente, perguntar seu nome e puxar assunto. Poeta, se apresentou o homem. Me fez um poema que falava sobre porcos. Eu ri, claro. Agradeci e confesso que no momento não entendi o que tudo aquilo poderia significar, talvez pela pouca idade e pelo pouco conhecimento de vida - que ali começara a ter. Vi todos à minha volta fazendo inúmeras perguntas, realmente indignados com aquela situação. Era impossível imaginar alguém tão culto e firme nas palavras estar ali, vivendo em meio ao caos da grande cidade, literalmente em meio à cidade cinza, sozinho. (Como se todos nós não estivéssemos vivendo assim, sem ao menos perceber.) Cantou, declamou e me surpreendeu, em muitos sentidos.

O Poeta não foi o único que me causou comoção, muito pelo contrário, todos ali me fizeram sentir algo diferente. 


O vídeo acima foi feito pelo Facebook, em comemoração aos 10 anos da rede social. A ideia do Tio Mark (e sua equipe) foi lançar 10 curta-documentários com incríveis histórias de conexão humana. Todas elas, é claro, auxiliadas pela rede social.

Eis que me deparo com um dos responsáveis pelo meu despertar: Raimundo Arruda, o Poeta.


Vi muitas pessoas compartilhando o vídeo, assim como fazendo comentário de quão emocionante é, mas nunca conseguiria associar a pessoa à imagem que se tornara. Após ver o vídeo e reconhecê-lo, lágrimas não só de emoção, mas de saudade. Sim, saudade. Saudade do sentimento de gratidão e paz que me habitou durante todo àquele dia em que estive correndo entre becos e "lugares de risco", procurando pessoas que não precisavam dizer que estavam precisando de ajuda, apoio, simplesmente atenção. Saudade de fazer algo mais, saudade de me sentir plenamente completa.

Confesso que o vídeo me atingiu em cheio. E no momento certo. (O que foi isso, hein Tio Mark?!) E, mais do que comoção, a história do Poeta transpassa ESPERANÇA - não só de uma vida melhor [como está sendo pra ele], mas de renascimento para todos nós.

Mesmo que não saibam, sou eternamente grata por todos os poetas que conheci aquele dia, responsáveis por provocar o despertar dos meus olhos para com esse mundo.

um post-it por dia

/ quinta-feira, fevereiro 06, 2014 /
Quem nunca rabiscou o seu Post-It durante uma reunião? Quem não tem Post-It colado no monitor do computador para não esquecer algo importante? E por que não tornar isso divertido, hein?

O projeto Um Post-it Por Dia, que pelo nome já dá para entender o conceito, começou de uma maneira bem simples. Com a pretensão de brincar com uma colega do trabalho (é brincs - já te considero pacas, Paulinha), descrevi suas características num Post-it. Pronto. Foi o suficiente pra galera gostar da ideia a incentivar outros Post-its decorados.