0,20

/ terça-feira, junho 18, 2013 /
É estranho pensar que "o Brasil acordou", não é? Parece que, finalmente, a maioria da galera utilizou a internet para algo que DE FATO fosse feito ao país.

Participei e tive o imenso prazer de ver - com riqueza de detalhes - boa parte das manifestações que rolaram em São Paulo e Osasco.

Gostaria de pontuar várias coisas, mas, para evitar um post um tanto quanto prolixo, me limito a compartilhar um texto incrivelmente bem descritivo sobre o meu (talvez o nosso) ponto de vista.

"Demorei muito para manifestar minhas próprias palavras por aqui, mas já se passou muito tempo e vejo a necessidade de tentar traduzir o que se passa, meio a um zilhão de pensamentos, na minha mente. Sei que posso estar errado em muitas passagens, e sei que vão me contrariar e apontar erros. Assim como o fazem com qualquer opinião, ou movimento, não é? 
São Paulo, a seguir o exemplo de outras cidades brasileiras, mudou! Parece, a partir de uma visão simplista, que a bolha do comodismo estourou! O aumento da tarifa pública para o transporte despertou algo que há tempos adormecia no interior de cada um. O movimento já não é pelos R$ 0,20; agora tem outra face. É um levante popular contra os excessos que há muito tempo comete o Estado e as instituições brasileiras; contra os abusos de poder das autoridades; contra a manipulação escancarada da mídia e sua correlação indiscutível com a política nacional; contra os lobbys que garantem a manutenção da sujeira nos negócios estatais; contra as altíssimas tributações que não se revertem em serviços de qualidade proporcional para a população, dinheiro que não se sabe bem para onde vai –embora saibamos: para os bolsos dos imundos governantes.
Saímos da Zona de Conforto! Graças à internet as informações não são mais de posse corporativa. Assim como assistimos aos levantes da conhecida Primavera Árabe (não, não venha dizer que comparo, de alguma forma ao que temos no Brasil) através do Facebook e do Twitter; agora é a vez do brasileiro de dar mais utilidade às redes socais. As verdades estão à disposição de todos (ou quase todos) e basta optar por buscá-las. As grandes mídias percebem, dia após dia, que suas forças se diluem meio ao levante anti-midiático popular. E isso me enche de alegria! Nunca fui um grande adorador da televisão brasileira, e nem da mídia internacional, e saber que não sou o único a pensar assim me anima. 
Hoje li sobre a possibilidade de uma manifestação em frente a Rede Globo de Televisão. Cara, imagina que lindo!? Roberto Marinho dá graças aos céus por não estar presente. Espero, realmente, que as forças das grandes redes esvaiam-se! 
Sobre a participação dos jovens nos movimentos, dirão alguns muitos, que é apenas um bando de baderneiros lutando sem causa certa; dirão alguns outros que a geração atual tem uma patológica necessidade de auto-afirmação histórica, pelo fato de inexistirem manifestações políticas de peso nos últimos tempos. Já outros, criticarão a participação dos jovens de classe média nos protestos, já que estes não são os que, diariamente, utilizam o serviço público de transporte. 
As cenas de sangue e violência inundaram os distorcidos noticiários da última semana. Assisto ao início de uma Revolução? Não sei. Mas espero, sinceramente, que sim! Espero que a cena mude; que as oportunidades sejam dadas, de fato, a todos, indiferentemente de sua capacidade de pagar por elas.
A visão maniqueísta da sociedade, dividindo-a entre ricos e pobres, em nada somará para uma compreensão sensata da situação à qual assistimos. O problema concentra-se na gestão das nossas políticas públicas; no nosso excludente sistema judiciário; no planejamento urbano que marginaliza as classes mais baixas da população através de uma especulação imobiliária que logo se tornará um grande problema para a própria economia da maior cidade do país; no estado ridículo da nossa educação e da nossa saúde pública; das nossas desvirtuadas preferências de investimento, em que tudo se faz para a apreciação dos olhos externos, desde nosso tempo colonial: “Lei para inglês ver”. 
Bem, mostremos então para os tais “ingleses” a realidade nacional. Mostremos o que a Copa do Mundo da FIFA (outro órgão sugador) não vai mostrar; mostremos a podridão de nosso sistema governamental."

Para tentar uma melhor exemplificação do que se passa na minha cabeça, Carlos Drummond de Andrade em "Elegia 1938":

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, 

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais, 
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. 

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. 
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras. 

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

human feelings as drugs

/ segunda-feira, junho 03, 2013 /
Vai uma dose de esperança aí?

De acordo com o projeto do fotógrafo Valerio Loi é possível adquirir alguns sentimentos em frascos. Já pensou se isso - realmente - fosse possível? Convenhamos, o planeta está precisando de uma dose cavalar concentrada de paz.