outros

/ quinta-feira, janeiro 31, 2013 /
As aparências estão caindo, se trata de exterminar o lado ruim das falsas aparências que encobrem os conflitos, para enaltecer o lado benéfico, que é a verdadeira beleza que se esconde por trás das sutilezas e das pequenas coisas que deixamos esquecidas por estarmos absorvidos pelo comum, pelo cotidiano, pelas coisas sem sentido que passam a reinar na vida. Pior do que qualquer coisa: começamos a chamar isto de “realidade” e aceitamos isto com fato natural da vida – aceitar a vida pela metade, motivado apenas pelo simples desejo de segurança e pelos medos, de errar, de sofrer, etc. Causa-me arrepios quando ouço a expressão “buscar sua metade da laranja” quando se fala da busca de um relacionamento.

As pessoas estão imersas em solidão porque estamos vivendo numa sociedade que nega a coisa mais natural do ser humano, e que sempre insisto: somos seres sociais, chegamos até aqui numa combinação desta capacidade de agir e se articular em grupo e com nossa extrema inteligência e habilidade para manipulação de precisão. Quando deixamos de viver desta forma e passamos a agir de maneira individualista, fechada, ao mesmo tempo em que tornamos nossa sociedade mais competitiva e violenta, por outro lado passamos a sofrer mais com a solidão, começamos a buscar relacionamentos de compensação, que nos tirem deste estado, e aí todos os relacionamentos entram em crise, pois logo se descobre que o outro (uma pessoa apenas) não será capaz de nos livrar das verdadeiras fontes de nossas angústias, ninguém pode ser usado como um “oásis”.
Quando voltamos a nos articular em grupos saudáveis, quando redescobrimos que podemos agir em grupo, estabelecer redes que nos apoiam, amigos que vibram nas mesmas ideias e aspirações, começamos a acordar e perceber que podemos viver de forma mais calorosa no mundo, de forma integrada, quente, segura. Então não nos sentiremos mais tão sozinhos. Daí, um relacionamento vem como uma complementação, uma consequência natural deste processo de reintegração à vida, e não como uma salvação de uma vida estéril e sem sentido, como costumamos fazer dentro desta sociedade doentia, que torna todos os aspectos da vida igualmente doentios.

E melhor que tudo: descobrimos que as fontes de amor vêm de todos os lados, em fluxos contínuos, abundantes, inesgotáveis, que não precisamos fazer de uma única pessoa um escravo de nossas projeções de carência e desespero existencial. E vice-versa. Relacionamentos podem ser ricos, desde que estejamos abertos para aceitar o tipo de riqueza que cada um tem, antes de tentar moldá-lo aos nossos desejos, como uma lâmpada de Aladim. Quem nunca teve este desejo egóico, afinal? 
Estes aspectos são como a maresia que corrói o belo verniz da falsidade de nossos “sim” ditos da boca para fora para agradar, o tropeço na língua das belas coisas que dizemos apenas para sermos aceitos, onde muitos chistes e atos falhos poderão nos colocar em momentos complicados. Claro, estamos vendo como este verniz está sendo corroído na sociedade, nos protestos, nas convulsões sociais causadas pelas mentiras que estão sendo contadas há tempos, pelos governos “fantoches”, etc. Mas não cometamos mais o mesmo erro: todas as insurreições na história, de alguma maneira, descambaram em regimes mais autoritários, desiguais, em algum momento à frente. Insisto: a sociedade que queremos nasce dentro de nós e de nossas atitudes nutridas no cotidiano, na nossa família (o grande tubo de ensaio), no trabalho, com os amigos, enfim, como faço das minhas palavras e ideias o verdadeiro “sonho em movimento”. Quem consegue viver assim, não precisa viver mais de máscaras.

Como diria o cortante Mestre Budista Dzongsar Khyentse Rinpoche, se conseguimos viver sem máscaras, sem medo, vivendo presente e intensamente cada momento, indo para onde quiser, criando livremente sobre o mundo, colaborando consigo mesmo e para o bem estar de todos, que tipo de iluminação podemos desejar a mais? Então, o outro deixa de ser uma salvação, e passa a ser um outro “eu”.

2 coelhos (2012)

/ terça-feira, janeiro 22, 2013 /


Não sou muito de recomendar filmes, mas um filme de produção nacional, muito bom (tirando o excesso de palavrões) que acabo de assistir: 2 Coelhos. Direção e roteiro de Afonso Poyart. Vale a pena conferir.

À primeira vista, o filme pode parecer uma imensa salada de gêneros e estilos cinematográficos díspares fotografados como se fosse um gigantesco anúncio de banco ou de algum plano de saúde. Nada mais errado. Embora se aproprie sem remorsos das firulas visuais de diversos diretores de sucesso do cinema inglês e americano, 2 Coelhos consegue se estabelecer como uma experiência de personalidade própria extremamente bem-sucedida e coloca Afonso Poyart como um nome a ser observado com muita atenção nos próximos anos.


AÇÃO NOS TRÓPICOS!
O estranhamento no primeiro ato é comum; os maneirismos gráficos, a montagem confusa e uma certa lentidão em apresentar a premissa dramática soam desfuncionais. Porém, do meio do primeiro ato até o final, o filme ganha uma força constante. Seja pela pós-produção primorosa, por um acerto no tom da montagem ou pelo final surpreendente e totalmente orgânico para a narrativa. Cabe ainda destacar as atuações do trio principal; Afonso Alvez Pinto está totalmente à vontade como Edgar, enquanto Caco Ciocler constrói Walter de um modo curiosamente misterioso. Já Alessandra Negrini, além de renascer das cinzas, voltou a dar mostras de um talento perdido em meio a más escolhas profissionais.

Um pouco do filme: Cansado de ser vítima da corrupção, criminalidade, Edgar resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão. Na medida que o plano de Edgar é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um acidente e um amor que não conseguiu esquecer. Edgard, sujeito em crise  que usa tecnologia, contra-espionagem e um pouco de sorte para matar com uma cajadada os dois coelhos que o persegue: o estado e os criminosos.

O trailer não apresenta uma divulgação (talvez) sensacional, mas apresenta um filme muito bom. Para quem nunca viu (clique aqui). E só para constar: tem Led Zeppeling tocando no trailer, mas não tem nenhuma música deles na trilha sonora.

Pelo cartaz, 2 Coelhos é um filme super pop com muita explosão, bem próximo dos filmes norte-americanos de ação, só que com aquele tempero brasileiro espertinho. um filme que tem muitos efeitos especiais, como diz o diretor, “físicos”.


ANÁLISE DO FILME E AVISO DE SPOILER! (via cinemateando)
Pelo logo do filme, já se entendia que a direção de arte seria no mesmo tom: espertinha. Mas eu me enganei. 2 COELHOS tem uma complexidade bem maior. a crítica inicial é que o que parece vender o filme [o tremendo trabalho cuidadoso de motion design] é o que é mais exagerado no início. Uma cena atrás da outra com animações. E a animação deixa de ser um bom design pra ser uma daquelas coisas exageradas dos designs pós-modernos que estão na linha tênue entre estética e apenas pura poluição. Estética da poluição é uma coisa muito delicada. Neste caso, ficou demais.

A boa notícia é que a partir do over de motion design de início, o filme envereda por um caminho bem equilibrado. a estética consegue trabalhar de forma muito boa com a referência dos quadrinhos, dos videogames, da cultura pop, da fotografia e dos filmes do gênero de fora do país.

A direção de arte do filme se divide em algumas estéticas que, aí sim, são a mistura pós-moderna equilibrada de estilos que aparentemente não teriam como conviver entre si. Algo que dá pra se chamar de estética pop, mas que tem estilos bem marcados articulando um todo hiper-real. De início, o motion design e a animação, que ora estão trabalhando no plano da imagem toda e ora no detalhe sobre as imagens. começa mais exagerado, mas ao longo do filme toma seu devido lugar. aposto que Snatch e Clube da Luta são as referências mais importantes aqui.

Tem a estética de videogame, que aparece na óbvia cena da primeira parte, que faz referência ao Gran Theft Auto, e em outras cenas de live action, especialmente as com ponto de vista FPS [first person shooter].





A cinematografia orquestra uma iluminação que transita entre os tons setentistas (amarelo-esverdeados) e oitentistas (frios, azulados e prateados) e a citação das estéticas da própria fotografia contemporânea, influenciada pelos aplicativos de internet e gadgets, como o Instagram, do iPhone, e o PicNik, ligado ao Flickr. Daria pra dizer que a cinematografia de 2 COELHOS mistura estética hipster com cultura visual indie. A própria referência aos anos 70 e 80 é própria dessa cultura, que também é o que dá a tônica do personagem principal, um nerd pós-moderno que transita entre os joy sticks de games e as armas de fogo de verdade.

Essa fluência contemporânea dos anos 70 e 80 também ganha forma nas claras e igualmente sutis citações de Tarantino. Um dos bandidos ter uma espada oriental é um efeito disso; outro bandido ter conhecimentos de medicina e aplicá-los ao crime é outro efeito. Mas se isso pode ser uma homenagem aos filmes do autor de Kill Bill, é também uma forte influência da cultura cinematográfica das décadas de 70 e 80, fonte da própria cultura pop.

Não só de Tarantino vive o estilo de 2 COELHOS  e Guy Ritchie não é só lembrado no design —, a câmera slow do diretor inglês (e não só dele, ok) é uma das presenças fundamentais na estética aqui. Não só Snatch pode ser percebido no filme de Afonso Poyart, mas também os efeitos de lenta de Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (o primeiro da “trilogia” de Guy Ritchie, que teria terminado com Rock n’ Rolla, filme que não consegue fazer parte do trio nem com muito esforço de fã):



Mas a soma de Tarantino e Ritchie é evidente também no roteiro, que é um não-linear com um narrador onipresente que constrói a história segundo a lógica do fluxo de pensamento. A estrutura básica fica por conta do “estou aqui, e sou fulano” + “agora vocês vão saber como cheguei a esta situação” + “este é fulano, mas pra saber a história dele, primeiro você precisa conhecer a história de ciclano”. A narrativa não linear podia ser um expediente óbvio aqui, mas Poyart, também roteirista, usa essa montagem com propriedade. Com a propriedade de quem sabe o que é necessário pra fazer o filme como se quer.

Os diálogos são naturais mas ao mesmo tempo minuciosamente bem construídos. E isso não se faz sem atores que consigam dizer as coisas com realismo. Os bandidos são um misto de caricatura com a vida como ela é.

Alguns dos momentos mais engraçados ficam por conta de falas de um dos coadjuvantes que menos aparece. Isso dá a tônica de humor negro que cai muito bem em 2 COELHOS.



O Caco Ciocler fala um pouco aqui sobre esse humor negro. E o humor negro é muito característico dos filmes ingleses que trabalham com a estética ação + violência (tipo Snatch e todos os outros filmes do Guy Ritchie) e meio proibido silenciosamente no cinema brasileiro. Por que? Por causa da herança moral do Glauber, que criou uma cultura de que a estética da violência no cinema brasileiro deveria servir a um ideal (bolchevique, aliás) de “pedagogia” contra os colonizadores e diante da fome, da miséria, da tragédia humana brasileira. Por causa de uma culpa meio socialista-soviética de país capitalista-mas-não-tanto que estabeleceu uma estética para o cinema brasileiro que é, também, denuncista. Nada de ruim até aqui, gosto de Glauber, gosto de estética da fome, gosto de denuncismo.

A estética do cinema brasileiro faz parte duma cultura denuncista que é fruto de uma história recente (incluindo ditadura militar e um recente crescimento da favelização no país), de uma cinematografia muito próxima do documentário e de uma relação muito forte que as esferas de produção alternativas [no Brasil, o cinema está dentro de uma esfera de produção alternativa, bem ao contrário do cinema norte-americano] têm com o pensamento socialista e com o compromisso de mostrar a dor e a miséria. É preciso que se entenda que a cultura cinematográfica brasileira é ligada a uma cultura estética brasileira maior e a uma questão histórica e social ainda maior, e que dizer que filme brasileiro é um saco porque só fala de miséria (com uma franca comparação, explícita ou implícita, com a produção dos EUA, que não pode ser feita porque os parâmetros não são os mesmos) é não compreender essa lógica.

Pois bem: o humor negro proibido no cinema brasileiro dá ao 2 COELHOS uma de suas melhores características: a ousadia de arriscar a simpatia do público pelo bem de uma coisa maior, que é ser inteligente. Os atores coadjuvantes agradecem, por sinal. cenas e diálogos memoráveis estão totalmente apoiados num humor que tem a auto-confiança da comédia britânica, mas ainda assim a cara do Brasil.

Mas o filme é só violência, explosão e uma trama emaranhada tarantino-guy-ritchienesca?

Nah! Tem romance também [que comentário óbvio]. E tem crítica também [comentário piegas]. Só que de uma forma que nega o caminho clichê. O roteiro tem a construção emaranhada, mas seus requintes estão nos dois coelhos. E quando um dos coelhos não morre na primeira cajadada, a virada final, de uma delicadeza adorável, faz surgir o caminho terceiro, em potência durante o filme todo.

Edgar trama um plano pra matar DOIS COELHOS COM UMA CAIXA D’ÁGUA SÓ. O que vai se desenhando conforme o filme vai acabando é que um dos coelhos é fazer justiça, algo que o “herói” que é anti-herói de fato diz logo no início do filme e que parece estranho quando percebemos que ele mesmo saiu ganhando com a noção bizarra que se tem de justiça no Brasil. É um herói, o Edgar, porque ele vai se sacrificar por um bem maior. E pelo bem de quem ele destruiu a vida. O segundo coelho é “sumir e ser feliz” com a mulher que ele ama.


A Júlia, que gosta de mar, de vento, de mão de homem. nada de requinte, se pensarmos que todos eles estão atolados na falcatrua até o pescoço e que entre crimes “menores” e grandes sacanagens, todos têm o rabo preso com a justiça. Ou acabam tendo. Nada de requinte, se pensarmos o clichê tão grande que é o herói fazer tudo pra ser feliz com a mulher dele. Mas aproveitar os clichês é coisa pra poucos, os clichês têm o seu lugar nas narrativas, o problema é que nem todos sabem usar.

Esse é o primeiro grande requinte do roteiro de 2 COELHOS, que usa os clichês da forma mais bem articulada possível. O último requinte fica por conta do híbrido dos dois coelhos. justiça é feita (numa sinfonia de corruptos e bandidos recebendo o fim que teoricamente merecem, o único fim possível, considerando que aqui no país é preciso a catarse do cinema onde os vilões morrem explodidos pra que superemos a liberdade de todos os grandes criminosos, garantida pela impunidade geral para os que não são os miseráveis e párias). E, com ela, a primeira vítima ganha o consolo que redimiria Edgar. Isso nos faz acreditar que os dois coelhos eram a justiça e a reparação do erro cometido contra o inocente (Edgar é responsável pela morte da mulher e do filho de 7 anos do professor, a quem acaba recompensando no final).

Mas em dado momento, se percebe que um coelho era a justiça - que incluía uma reparação virtual para o professor, que não lhe traria a família de volta, mas cumpriria com os ideais de um mestre que plantou em Edgar a revolta contra a corrupção; e o outro coelho era “ser feliz com a mulher” bem longe do Brasil e com a redenção pelo crime de arrancar a família do professor.

O que o final nos reserva — SPOILER, FRONT AND AHEAD!  é que a vida pode ter um fim surpreendente. Edgar é um narrador póstumo que, quando mata dois coelhos com uma caixa d’água só, faz sua saída triunfal de cena, terminando seu sacrifício de herói e a um só tempo fazendo justiça e fazendo justiça. primeiro, ele faz justiça contra a bandidagem e a corrupção (ele incluso, porque morrendo, junto com o pai, termina a obra de apagar todos os bandidos envolvidos na história, desde o mais simpático até o mais cruel). Depois, ele faz a justiça da reparação pessoal do próprio erro, dando ao professor uma família que seria a sua. é como se Edgar dissesse: “tirei tua mulher e filho, te dou minha mulher e filha em troca”.


Júlia também deveria ter morrido, é verdade, pela lógica do coelho da justiça. aí entra mais um clichê do cinema de todos os tempos: uma mulher com um filho na barriga é uma mulher inocentável. porque nela está a pura inocência, representada metafórica e literalmente pela criança. O professor, afinal, não é perfeito, já que chega a matar alguém no filme, ainda que um criminoso. Essa é outra das lógicas que costuram o filme. Difícil de aceitar, mas é. Inocentes, apenas a mulher do professor, o filho morto e a filha de Edgar que será criada pelo professor. Nem o pai de Edgar está limpo, já que fez falcatrua pra que seu filho saísse solto do julgamento por homicídio duplo culposo [um crime “menor” pra salvar um filho?]. Todos cometem algum delito. Uns são maiores, outros têm consequências mais nefastas, outros, ainda, quase nem contam no acerto de contas, mas estão ali.

2 COELHOS é um filme que critica a justiça no Brasil assim como a moral humana, desde o deputado que começa honesto e se corrompe até a mulher que até gostava do marido traído, passando por todas as nuances de culpa e inocência de que se tem ideia no catálogo das humanidades. Dá pra julgar alguém? Os bandidos podem ser os mocinhos; e os mocinhos, nem tão mocinhos assim; e a caixa d’água nem é bem uma caixa d’água, pode ser também um monte de balões cheios de gasolina, não tem carro que seja blindado nessa trama.



“Às vezes a gente precisa se distanciar do papel, pra enxergar o desenho todo com mais clareza.”




O roteiro do filme foi bem elaborado, foge de toda sequencia tradicional e simplória dos filmes nacionais. E a cada cena do filme você encontra novas situações (em que algumas vezes te deixa confuso) mas que te provoca a raciocinar como chegou a tal situação. É um filme diferente, inovador e com muita criatividade. Um filme que foi feito de forma que a medida que assistimos temos que juntar as peças (cenas) de forma a imaginar o que está acontecendo. Sua história exige atenção, não entregando tudo de bandeja, difícil de você prever o final do filme. A trilha sonora também foi bem escolhida.

Bom filme. Comente depois de ver!

"He Wears It" por John Woo

/ segunda-feira, janeiro 21, 2013 /
Já imaginou Darth Vader, Mulher Gato e até mesmo o Coringa usando roupas de grife? Foi exatamente isso que o designer e ilustrador  John Woo fez.
Baseado em personagens de ficção e, principalmente utilizando personagens da série Star Wars (no Brasil, Guerra nas Estrelas), o ilustrador de Hong Kong criou uma série de ilustrações chamada “He Wears It“, que apresenta roupas de diferentes estações do ano de um jeito bastante peculiar e engraçado. As ilustrações já seriam fantásticas por conta própria, mas misturá-las com rótulos bem conhecidos e marcas de moda masculina foi uma das principais razões para que o trabalho de John Woo tenha se destacado na internet e no meio publicitário. John vestiu Darth Vader com Band of Outsiders, Scout Trooper com Viktor & Rolf, Super Man com D&G, dentre outras combinações perspicazes.

E o interessante é que você também pode comprar cópias das ilustrações através da loja virtual Etsy John. Eu gostei, até considerei ter um desses no escritório aqui em casa.

(E que tal dar uma olhadinha no meu primeiro post sobre moda lá no blog Publicitário Pobre, hein?)

moda ética?

/ quarta-feira, janeiro 16, 2013 /
O desafio de buscar materiais e processos menos impactantes ao ambiente é comum a todas as indústrias de bens de consumo. Portanto, quando a pergunta é sobre sustentabilidade na moda, o buraco é mais embaixo.
Quem acompanha noticiários sabe que está cada vez mais difícil estar na moda sem deslizar em uma gafe ética. Podemos citar o impacto sobre um caso envolvendo a Zara, peça principal de um escândalo de trabalho escravo.

Mas, você aí, quer acompanhar as últimas tendência sem se sentir culpado por isso? Vos apresento uma ótima alternativa: Fashioning Change.

Funciona assim: primeiro, você faz login utilizando uma conta no Facebook, ou através de um e-mail pessoal. Feito o login, você insere informações sobre determinadas marcas, o estilo de roupa que mais usa, adiciona as suas medidas e faixa etária. Dá até para escolher uma personalidade como referência, o site sugere diversos estilos, que vai de Jennifer Aniston à Michelle Obama. Depois, com base nesse questionário e em uma lista das causas de caridade de sua preferência (educação, criança, saúde, ecologia...), o site apresenta versões mais éticas para as peças das últimas coleções produzidas por lojas como Zara, Nike, Calvin Klein, entre outras grandes grifes.


Segundo o próprio site, mais de 35 mil intervenções – nome dado às trocas de produtos de marcas famosas por compras mais sustentáveis – já foram realizadas.

Interessante. Afinal, nada melhor do que, além de estar na moda, estar com a consciência livre.

Serenah Photography

/ sexta-feira, janeiro 11, 2013 /
Nascida na Nova Zelândia e, atualmente, morando na Austrália, a fotógrafa Serenah resolveu captar imagens de seus três cães de estimação em cenas inusitadas, vivendo situações comuns entre os seres humanos. O dachsund Ralph, o bulldog Simon e o falecido mastiff Rocco aparecem como membros da família, tomando banho, em carrinhos de bebê, rolando na cama ou festejando o próprio aniversário.

O Grande Ditador

/ quinta-feira, janeiro 10, 2013 /
The Great Dictator (em português "O Grande Ditador") é um filme estadunidense de 1940, do gênero comédia dramática e sátira crítica, dirigido por Charles Chaplin. O filme satiriza o nazismo, o fascismo e seus maiores propagadores, Adolf Hitler e Benito Mussolini. Foi o primeiro filme falado de Chapli também; e foi lançado nos Estados Unidos um ano antes do país abandonar sua política de neutralidade e entrar na Segunda Guerra Mundial.

Adicionalmente, O Grande Ditador foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Chaplin), Melhor Ator Coadjuvante (Oakie), Melhor Trilha Sonora (Meredith Willson) e Melhor Roteiro Original (Chaplin).

Ao final do filme, o personagem de Chaplin dá um belo discurso falando de direitos humanos no contexto da Segunda Guerra Mundial. 


"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. (...)"

DISCURSO "ATUAL"
No final de 2012 surgiu um vídeo com a reinterpretação desse discurso, feita pelo Diego Freire e um grupo de jovens. A proposta, incluindo a hashtag #olhanomeuolho ficou bem interessante e, apesar de tanto tempo, o discurso ainda soa bastante atual.

"tell lie vision"

/ quarta-feira, janeiro 09, 2013 /
Momento propício para abordar esse tema, não?! Para começar, gostaria de solicitar aos leitores dessa postagem que, por gentileza, analisem com atenção todo o contexto como uma observação/crítica, o que não elimina a possibilidade de haver exceções. Cuidado com a distorção cognitiva.

Há tempos que a televisão e a mídia, em geral, tem tornado o seu conteúdo especialmente comercial. Isso já acontecia, está acontecendo e vai continuar tomando amplitudes cada vez maiores.
Assim como tudo na vida — e me refiro à TODOS os "setores" da vida , temos à nossa disposição todas as informações do Universo, expostas, livres, para que possamos explorá-las a qualquer momento.

Pois bem.

Agora, devido a inclusão digital, o intenso contato com as redes sociais vem dando lugar à divulgação de críticas públicas e, principalmente, às reclamações. Mas será que isso realmente influencia em algo?
O que vivemos e os assuntos pelos quais nos interessamos, são fatores que influenciam em nossas escolhas e em quem nos tornamos. Sim, isso é um fato incontestável. Mas, de todo modo, não podemos definir alguém como burro unicamente porque assiste reality show; nem taxar como um gênio aquele que assiste filme cult. Todos são inteligentes quando cada um vive sua vida.

A verdade é que muita gente fala mal como uma forma de posar de inteligente, sempre depreciando quem assiste determinados programas, ou seja, fala mal mas não com o objetivo de fazer refletir sobre a baixa qualidade da TV e sim com pretensões egoístas; reclamam de um programa de televisão X da emissora Y, como se não fosse mais um programa como muitos outros por aí: ruim. É possível ver vários compartilhamentos pelo fim de determinado programa, pelo julgamento idiota que fazem com pessoas que assistem programa "X", até mesmo pessoas que bloqueiam o assunto e ficam irritadas com tanta "porcaria". Pessoalmente me incomoda sim gente que fica reclamando de quem fala sobre Big Brother Brasil*, por exemplo, nas redes sociais. E me incomoda ainda mais quem ameaça excluir pessoas, porque isso trata-se fortemente de uma reclamação inútil. Pois acredite: o que realmente importa é o que você (assim como qualquer indivíduo) absorve de cada informação, e o que se faz com o conteúdo adquirido.
Cada um tem seus assuntos de interesse e se você acha que não vale a pena ter as postagens de alguma pessoa na sua timeline você a desassina e pronto. Essa dica também vale para todo e qualquer outro tipo de assunto. Afinal, a gente sempre vai ler sobre coisas que não gostamos ou que não nos interessa. Basta ignorar. Qual a dificuldade?

O mais curioso é que, geralmente, a massa critica programa "X" mas dificilmente faz o mesmo com outros programas e mídias que vinculam humor chulo, estereótipos a respeito de raça, orientação sexual, religiosa, séries de besteirol americanas, machistas e homofóbicas, ou que banaliza o assédio sexual de maneira apelativa e ofensiva (isso sem citar o show de promoções das pseudo-indulgências e da terrível mendicância e enganação de algumas denominações religiosas, ao vivo, na televisão). Essas pessoas não fazem mobilizações para acabar com outros programas e do mesmo nível de conversação. E para esse tipo de "atitude" eu costumo dar o nome de: hipocrisia.

Talvez a maioria das pessoas esquecem o tamanho da televisão mal feita que assistem. Infelizmente, parece que a hipocrisia está se tornando o novo "pretinho básico" nas redes sociais. Contudo, eu espero mesmo que essas manifestações sejam reflexo de uma preocupação sincera com a qualidade da programação televisa.

o papel da mulher na sociedade, por Anne Frank

/ terça-feira, janeiro 08, 2013 /
Annelisse Maria Frank, mais conhecida como Anne Frank (Frankfurt am Main, 12 de Junho de 1929 — Berben-Belsen, Março de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do holocausto, que morreu aos quinze anos de idade num campo de concentração. Ela se tornou mundialmente famosa com a publicação póstuma de se diário, no qual escrevia as experiências do período em que sua família se escondeu da perseguição aos judeus dos Países Baixos. O conjunto de relatos, que recebeu o nome de Diário de Anne Frank, foi publicado pela primeira vez em 1947 e é considerado um dos livros mais importantes do século XX.


Vale a pena a leitura de um trecho desse livro fantástico de Anne Frank sobre o papel da mulher na sociedade:

"Umas das muitas perguntas que me incomodam é por que as mulheres eram vistas, e ainda são, como inferiores aos homens. (...) Aparentemente os homens dominam as mulheres desde o início por causa da força física; (...) Até bem pouco tempo, as mulheres aceitavam isso em silêncio (...). Ainda bem que a educação, o trabalho e o progresso abriram os olhos das mulheres. (...) Muitas pessoas (...) percebem agora como é errado tolerar essa situação por tanto tempo. As mulheres modernas querem o direito de ser completamente independentes. Mas não é só isso. As mulheres devem ser respeitadas também! Falando em termos gerais, os homens são mais valorizados em todas as partes do mundo; então por que as mulheres não devem ter sua cota de respeito? Soldados e heróis de guerra são homenageados e condecorados, exploradores recebem fama imortal, mártires são reverenciados, mas quantas pessoas veem as mulheres também como soldados?
No livro 'Men Against Death', fiquei chocada com o fato de que somente com o parto a mulher costuma sofrer mais dor, doenças e infortúnios do que qualquer herói de guerra. E o que ela recebe por suportar toda essa dor? É jogada para o lado quando é desfigurada pelos partos, os filhos logo vão embora, a beleza desaparece. As mulheres, que sofrem e suportam a dor para garantir a continuação de toda a raça humana, seriam soldados muito corajosos do que todos aquelas heróis falastrões lutadores pela liberdade postos juntos. Não quero sugerir que as mulheres devam parar de ter filhos; pelo contrário, a natureza lhes deu essa tarefa, e é assim que deve ser. O que condeno é nosso sistema de valores e os homens que não reconhecem como é grande, difícil, mas lindo, o papel da mulher na sociedade. (...) Para os homens é fácil falar - eles não suportam nem terão de suportar os fardos da mulher.
Acredito que, no correr do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas."
Anne Frank —, trecho de "O Diário de Anne Frank", publicado em 1947"
 
O ponto não é pregar a superioridade da mulher, mas, sim, lutar e exigir por igualdade entre os gêneros, entre as raças, entre as gerações. Pois todo e qualquer ser humano deve ser respeitado e valorizado de maneira justa e igualitária. Anne Frank, com pouca idade mas com muita atitude, com certeza foi e ainda é um exemplo para as mulheres. Um exemplo de vida, um belo exemplo de como ser humano/a.