ei, você aí, viajante

/ sexta-feira, novembro 09, 2012 /
Sempre te vejo passando, me parece estar cansado. Empolgado, mas cansado. Sei que mesmo que pareça ser a primeira vez de "tudo" isso, não é a primeira vez que percorre essa estrada. Sei que os sons e as paisagens continuam te encantando. Sei também que não é a primeira vez que tem esses pensamentos de dúvidas e deslocamento.

Eu já te vi olhando para esse lado da cerca, com seu olhar sempre carregado do interesse de conhecer o que se passa aqui, ou melhor, o que se passa aí. Em outras vindas, chegou a entrar, e me lembro de como era feliz. Por motivos que pareciam maiores, foi experienciar outros fins e prometeu voltar quando fosse a hora. Acho estranho quando passa por aqui e nem se quer olha nessa direção... Entendo que é difícil recordar sozinho, depois de tanto tempo. Sua mente ou alguma mente, mente e sempre te enche de especulações, direções opostas, por isso o receio de entrar, de estar dentro. Venha, entre na mesma casa que eu moro. Venha experimenta do alimento que me alimenta. Repara na telha dessa casa, ela nos protege e aquece e, quando desce a noite, ela deita para ver as estrelas e a lua.

Fique descalço e sinta o calor na planta dos pés. É noite e até o sereno da madrugada tem nos aquecido. O que antes espantava, hoje nos aconchega. Torcemos por desilusões que nos aproxime de nós. Torcemos por um mundo que nos é apresentado para ver que verdade escorre dele.

Sente-se e se sinta à vontade. Essa também é a sua casa.

Por acaso você tem reparado como os dias e os carros tem passado rápido por aí? Os meios para facilitar uma comunicação – a distancia nos afastou de uma comunicação aproxima –, que paradoxal... Às vezes me pergunto se sou um jovem velho ou um velho jovem. Não sei se você está me entendendo, mas... nesta casa olhamos lá pra fora sem muito interesse, pela necessidade de servir sempre, vamos lá e este é um processo importante: se misturar sem nos homogenizar, mostrar que a integridade com a vida externa começa pela vida interna. De uma forma natural, usar a palavra como um anzol para resgatar as pessoas, tirá-las do aquário pessoal e retorna-las ao mar da vida. Espero que agora que entrou, permaneça. Para retomarmos nosso processo de outras vidas e que, dessa vez, esteja certo de que o mundo lá fora é reflexo do mundo aqui dentro. E que sem esse, pouco ou nada poderia ter sido feito de útil para todos, para nós.

Com carinho,
SEU EU SUPERIOR.

3 COMENTÁRIOS:

{ Srta. Vihh } on: 9 de novembro de 2012 10:05 disse...

Que lindo este texto!

{ Carolda } on: 12 de novembro de 2012 20:12 disse...

Gente.

Você escreveu esse texto pra mim.

{ Larissa Diehl } on: 14 de novembro de 2012 15:16 disse...

Isso é muito bom!

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